quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Férias grandes


Dizem os entendidos nisto dos blogs que depois de uma longa ausência não devemos tentar justificar-nos perante os possíveis leitores já que "a vida acontece" e todos percebem isso...
Como eu não concordo a 100% com isso, sinto-me na obrigação de dizer "olá a todos, estou de volta. Na verdade nunca parti..."

Os mais atentos saberão que antes do Verão deixei de trabalhar por conta de outrem. Já estava naquela empresa há quase dez anos, e na verdade tinha um grande sentimento de pertença na mesma. Mas por outro lado sentia que precisava de mudar. Queria ser dona do meus horários. Não queria perder horas de vida no trânsito e acima de tudo, queria dar mais assistência ao meu filho. Ainda mais, sim. Queria fazer-lhe o jantar todas as noites e dar-lhe o banho. Queria ser a mãe que pode ajudar nas visitas de estudo da escola e levar bolo caseiro para o lanche. Queria ir buscá-lo à escola, leva-lo ao parque e depois às actividades e poder ficar lá, só a olhar para ele. São coisas de mãe, eu sei, mas coisas importantes para mim. Provavelmente para todas as mães. A empresa tentava ao máximo facilitar isso, facilitou durante bastante tempo, mas não era o suficiente e tivemos todos que mudar.  


E foi graças a isso que o levei todos os dias ao autocarro da praia e fiquei a fazer adeus até partir. Que o trouxe para casa mais cedo para tomar banho de água quente e dormir grandes sestas a dois. Foi assim que comecei e terminei o meu primeiro projecto em casa, pegando no computador às dez da noite, depois de o deitar. E foi assim que isto de escrever um blog foi ficando para trás quando pensei que se não fizesse verdadeiramente "Férias grandes" com ele agora, quando faria? Julho e Agosto foram só dele e fizemos tudo o que quis. Ficamos em casa, brincamos dias inteiros, vimos filmes, fizemos bolos, pinturas, bolas de sabão e jogamos à bola. Corremos os parques da cidade. Viajámos, passeamos, fomos a museus e igrejas. Andamos de tuk tuk e autocarro turístico. Tiramos muitas fotos, demos muitos mergulhos, compramos porcarias, abraçamos a familia e muitos amigos, alguns vindos de longe. Sentimos as gotas da chuva de Verão, quente no rosto, e continuamos a nadar. Fomos à praia, à piscina, ao rio e à barragem. Nadamos com os peixinhos. Sentimos saudades. Ele aprendeu a nadar. Ficou maior. Precisou de novos sapatos. Cortou o cabelo. Fez amigos, em várias línguas. E passeou de uma ponta a outra de Portugal.Andou de escorrega, de slide e de baloiço, andou de bicicleta, de gaivota e de carrinho de choque. Deu mil voltas nos carroceis, pulou nos insufláveis e voou nos elásticos. Ouviu música e dançou. Viu luzes na noite da cidade e estrelas no céu do campo. Andou descalço na terra. Foi á quinta do avô e conheceu o amor dos primos. Teve o primeiro gostinho de independência e desafiou as regras. Andou muito de carro, viu muitos desenhos animados, deitou-se tarde e, pela primeira vez, acordou tarde. Não comeu sempre fruta nem comeu sempre sopa. Teve piscinas só para si e pulou em camas de hotel até se cansar. Nadou até se cansar, brincou até se cansar. Falou até se cansar e ele não se cansa de falar. Foi amado até se cansar. E eu, nós todos, não nos cansamos de o amar. 



Gostava de dizer que esta pausa de quase dois meses tinha sido uma intencional desintoxicação tecnológica, uma cura do online. Mas não foi. E na verdade os posts amontoavam-se na minha cabeça, mas havia sempre alguma coisa -tudo- mais importante. Não foi falta de tempo, não foram mil projectos para realizar. Foi só isto - férias grandes. Como elas devem ser. 

Agora "back to school", nós todos, que já estamos a precisar. 

Estivemos sempre por aqui, para quem quiser fazer uma retrospectiva...

Sem comentários:

Enviar um comentário